MINISTÉRIO DA CULTURA  apresenta

Notícias

12 de junho de 2018

Algumas Perguntas

Postada em 12 de junho de 2018 em Conteúdo.

Algumas Perguntas

Nos anos 80, vários países latinoamericanos enfrentaram a difícil missão de lidar com as feridas e as consequências de períodos de ditaduras militares. No Uruguai não foi diferente, e a proposta de uma lei que isentava de qualquer responsabilidade jurídica-penal os militares do país resultou num plebiscito que dividiu e expôs visoes bem distintas sobre o que foi aquele período e como melhor seguir adiante. A cineasta suiça Kristina Konrad morava no Uruguai na época, e saiu às ruas com sua câmera para registrar o estado das coisas, ouvindo pessoas nas mais diferentes regiões, idades e perspectivas. Quase 30 anos depois, ela montou esse material em ALGUMAS PERGUNTAS, filme que afeta muito diretamente a nós brasileiros, que passamos ainda hoje por situações afetadas por circunstâncias similares. Trata-se de um filme imperdível para todos que desejam pensar como um período de exceção afeta a alma de um país. Professores e estudantes de história, ciências sociais, jornalismo e afins não podem perder essa chance! Material muito rico.

 

13 JUN
Cineplex Batel (Sala 4)
14h00

12 de junho de 2018

Peggy e Fred no inferno: Desenlace | Trechos de entrevista com Leslie Thornton

Postada em 12 de junho de 2018 em Conteúdo.

Peggy e Fred no inferno: Desenlace | Trechos de entrevista com Leslie Thornton

A obra-prima de Leslie Thornton, por muitos anos, foi um “work-in-progress”. Ela começou a criação de Peggy e Fred no inferno: Desenlace com a intenção de ser um trabalho serializado lançado em parcelas periódicas. Peggy e Fred no inferno: Desenlace, com 95 minutos de duração, é o corte final de Thornton. Suas cenas em preto e branco (filmadas, encontradas e reunidas a partir de vários formatos e fontes) mostram duas crianças (interpretadas por Donald e Janis Reading) explorando um cenário pós-apocalíptico composto por sua casa desordenada e uma vasta paisagem selvagem que eles vagam. Seus principais companheiros são itens tecnológicos – videogames, telefones e televisões incluídos – além de outros. Ao longo da série, diferentes imagens de arquivo surgem na tela sem aviso prévio, como se fossem itens de repente encontrados pelas crianças e usados para ajudar os vivos a avançar.

 

Abaixo, Thornton fala sobre o filme em trechos de uma entrevista que apareceu originalmente no ano passado em inglês na Brooklyn Magazine (http://www.bkmag.com/2017/04/03/leslie-thornton-bam/):

 

Leslie Thornton: Quando comecei a fazer Peggy e Fred no Inferno, achei que estava fazendo um filme estranho. Parte da ideia de as crianças estarem sozinhas no mundo era que elas podiam ter tudo. Eles poderiam ter todo o passado. Eles tinham seu próprio presente, que tinham que inventar todos os dias – como todos nós fazemos, e especialmente como as crianças fazem -, mas tudo era deles. Essa foi a concepção narrativa que permitiu que o filme escorregasse para quase tudo que pudesse cair em seu colo, incluindo imagens muito antigas, especialmente com base nos materiais impressos em papel da Biblioteca do Congresso de alguns dos primeiros filmes já feitos. Meu interesse em usar esse material, em parte, era dar-lhe um lugar no aqui e agora, para encontrá-lo. Eu não queria inseri-lo em um contexto de documentários ou criar algum tipo de estrutura histórica narrativa para domá-lo, mas sim usá-lo de forma clara e direta.

 

Meu objetivo número um em trabalhar com material de arquivo é trazer isso para nós, em nossas vidas, de uma maneira fenomenológica. Em Peggy e Fred, em particular, eu queria incorporar material de uma história cultural e uma história tecnológica. Eu filmei um monte de coisas que parecem arquivos – algumas linhas estão borradas. Eu também queria que os materiais mais antigos estivessem totalmente presentes no plano linear e móvel do filme. Mas estranho.

 

Eu concebi Peggy e Fred como uma espécie de série de suspense para os primeiros cinco ou seis episódios. Por muitos anos, pensei nisso como uma antecipação contínua. O filme usou dispositivos muito simples da tradição do cinema de suspense e de séries mais antigas, até mesmo de algo tão básico quanto The Perils of Pauline (1914). Uma sequência terminaria e deixaria o espectador com a sensação de “Isso foi diferente. E agora?”

 

Depois do 11 de setembro, porém, tornou-se outra coisa. Desde o início, o aparato e a tecnologia usados ​​para fazer o trabalho faziam parte da história. Era impossível (em parte) que em 1984 eu pudesse ter antecipado perfeitamente o que viria acontecer com a mídia digital, a Internet e as várias maneiras pelas quais o mundo social passou de baseado na carne para o fractal. Depois do 11 de setembro, as crianças deixaram de ser protagonistas, sujeitos ou figuras primárias do projeto para serem absorvidas em um abismo tecnológico.

 

O começo de Peggy e Fred no Inferno foi focado na ideia de ter muitos dados durante a explosão da informação. Os computadores estavam entrando em funcionamento (embora ainda não soubéssemos sobre a Internet), a televisão estava em toda parte e estávamos adquirindo mais e mais informações por meio da mídia. Fred era obcecado por videogames, que moldavam seu cérebro, como acontece com muitas crianças. A apreensão sobre toda essa tecnologia (muito do que, na verdade, era fruto das necessidades e desejos dos militares) foi um impulso para o trabalho. Foi a ansiedade de ter muito.

 

Hoje em dia, com aqueles que são mais novos do que eu – como meus alunos de cinema – há uma lacuna crescente, mas também há um interesse crescente que temos um com o outro, através das gerações. Eles têm uma curiosidade sobre esse outro caminho. Todos querem filmar e editar em 16mm. Eles vivem on-line de maneira sofisticada, poderosa e subversiva, mas também querem tocar coisas. Acabei de perceber isso acontecendo nos últimos dois anos, e sinto que a tendência é algo biológico que faz com que pare de funcionar. Vivemos hoje no inferno de Peggy e Fred, e precisamos fazer as coisas à mão novamente.

 

QUANDO E ONDE

12JUN – Espaço Itaú (Sala 1)
21h30
*Apresentação de Janie Geiser (realizadora homenageada da mostra Foco)
13JUN – Espaço Itaú (Sala 3)
14h00
10 de junho de 2018

Conversa Ilustrada com Janie Geiser

Postada em 10 de junho de 2018 em Conteúdo, Notícias.

Conversa Ilustrada com Janie Geiser

A Conversa Ilustrada

Além das exibições de filmes na mostra Foco do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba deste ano, a artista norte-americana Janie Geiser apresentará uma “Conversa Ilustrada” centrada em uma re-animação de fotografias encontradas em seu filme Mandril, de 2012. Obcecada por desenterrar narrativas possíveis e impossíveis a partir de fotografias de estranhos e geografias desconhecidas, ela nos guia através de uma iluminação forense do espaço entre achados e perdidos. O breve texto abaixo dá uma descrição do evento, uma versão anterior do que ocorreu no FilmFest Dresden em 2016.

“Conversas Ilustradas” fazem parte de uma tradição antiga e moderna de imagens performáticas: contar histórias com fotos. A performance pictórica é a narrativa ancestral de uma infinidade de formas, desde pergaminhos japoneses até cantastoria medieval, shows de medicina, sideshows, “tableaux vivants”, imagens em movimento, PowerPoint e noticiários. A “Conversa Ilustrada” foi particularmente popular no final do século 19 e início do século 20, como uma forma básica de vaudeville e performance itinerante.

A “Conversa Ilustrada” de hoje à noite se concentra em Mandril, que surgiu a partir de um achado em um brechó: um grupo de 8 pequenas fotografias, amarradas com um elástico. Ao examinar as fotos, algumas coisas ficaram aparentes: um grupo de pessoas estavam de pé ou descansando em um campo com árvores distantes. Parecia verão, e as roupas sugeriam a Europa do pós-guerra. Mas quem eram essas pessoas? Por que eles estavam reunidos naquele dia? Por que tantos deles estavam olhando para longe da câmera, no horizonte distante ou além? Quem tirou essas fotos?

Geiser desdobra seu processo para nós, de um experimento, tentativa e erro, descoberta e acaso, enquanto ela tenta desenterrar algo essencial das fotografias. Ela coloca questões sem respostas e sugere um espaço liminar entre representação e abstração, figura e paisagem, ficção e memória.

Começando com as imagens originais e inalteradas, Geiser nos revela suas manipulações cinematográficas: reenquadrando, mergulhando, invertendo e fundindo as imagens fotográficas com outros traços materiais, incluindo flores e sombras. Os habitantes de Mandril deslocam-se através de sua tarde indescritível, gradualmente sucumbindo ao tempo ou se dissolvendo na paisagem, reservando para si mesmos o que não podemos saber.

Conversa Ilustrada

DATA E HORÁRIO: SEG 11/06 | 19H00

LOCAL: SHOPPING CRYSTAL (ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA) | Sala 1

ENTRADA GRATUITA / Os ingressos serão distribuídos na bilheteria 1 horas antes do início.

 

09 de junho de 2018

A VIAGEM DA HIENA: MAMBÉTY E A MODERNIDADE

Postada em 09 de junho de 2018 em Conteúdo.

A VIAGEM DA HIENA: MAMBÉTY E A MODERNIDADE

A VIAGEM DA HIENA: MAMBÉTY E A MODERNIDADE

[O texto abaixo compreende um excerto de artigo escrito pelo crítico Richard Porton a respeito do filme A viagem da hiena (Touki Bouki, 1973) de Djibril Diop Mambéty. O artigo foi originalmente publicado em 2013 para acompanhar o lançamento norte-americano do filme em DVD/Blu-ray pela The Criterion Collection, disponível no link: https://www.criterion.com/current/posts/2988-touki-bouki-mamb-ty-and-modernity .

Agradecemos ao autor e à distribuidora por autorizarem a tradução do inglês, publicada aqui em razão da retrospectiva deste ano do Olhar de Cinema em torno dos cinemas de Djibril Diop Mambéty e Jean Rouch: https://www.olhardecinema.com.br/2018/en/retrospective-2018-mambety-rouch/ ]

Um longa de estreia feito por trinta mil dólares por um diretor autodidata de 28 anos que havia realizado apenas dois filmes (embora permaneçam obras notáveis por si só), A viagem da hiena de Djibril Diop Mambéty ganhou o prêmio FIPRESCI no Festival Internacional de Cinema de Moscou em 1973, e desafiou por conta própria as alegações obsoletas de que o cinema africano estava inextricavelmente associado ao realismo social e imune a estratégias narrativas de teor experimental. O filme de Mambéty é certamente fascinante pela maneira com que lança mão de muitas das antinomias tradicionais do cinema africano francófono – o conflito entre tradição e modernidade, sensibilidade rural versus urbana, a devastadora herança colonialista que coexiste com a corrupção e a má fé do neocolonialismo. Mas a conquista singular do filme é seu sucesso em reformular e recontextualizar esses temas de modo realmente surpreendente.

Um beberrão de veia rebelde, Mambéty tentou ser ator na juventude, mas foi logo demitido após um curto período no Teatro Nacional Daniel Sorano, em Dakar. Seus filmes eram tão radicais quanto os de seus compatriotas, porém os nacionalistas de mentalidade literal o atacavam com frequência por uma suposta confiança excessiva em motes e materiais de origem ocidental. Os filmes de Mambéty, no entanto, demonstram que o modernismo europeu e os modos africanos originários não residem em polos inconciliáveis. Hienas (1992) é baseado na tragicomédia A Visita da Velha Senhora (1956) do dramaturgo suíço Friedrich Dürrenmatt, e Mambéty não se acanhou em expressar a influência de um escritor europeu; na época do lançamento do filme, ele proclamou que era “uma alegria para mim prestar homenagem a Dürrenmatt”. A adaptação de Mambéty, no entanto, é mais uma apropriação astutamente subversiva do modernismo ocidental do que exatamente uma concessão à sua língua franca homogeneizadora.

Embora A viagem da hiena tenha sido comparado a outros filmes às voltas com casais fora-da-lei, como O demônio das onze horas (1965) e Bonnie e Clyde (1967), o enredo simples, que gira em torno das façanhas de um rebelde dedicado a pequenos furtos, Mory, e seus esforços para fugir do país rumo a uma França idealizada com sua namorada, Anta, é apenas o ponto de partida para um olhar cinicamente sagaz sobre a modernidade senegalesa e seus descontentamentos. O emprego lúdico de uma montagem cinética e associativa, acompanhado pela disjunção poética entre som e imagem, confirma que Mambéty foi tão inspirado por Sergei Eisenstein e as demais tradições de vanguarda quanto por road movies pós-New Wave. As mudanças espaciais e temporais inusitadas cristalizam tensões essencialmente indissolúveis entre tradições rurais e a ausência de normas do mundo urbano. Mesmo antes dos créditos iniciais, o corte de uma cena pastoral na qual um garoto, possivelmente Mory, agrupa as vacas de um rebanho, para o chão ensanguentado de um matadouro acelera o contraste entre um ambiente agrário pré-moderno e uma modernidade industrializada e burocratizada. Quando Mory finalmente aparece em Dakar ele está montado em uma motocicleta, adornada frontalmente por um crânio de boi e chifres longos e atrás por uma cruz Dogon – símbolo de tradições religiosas do Mali. O impulso sincrético do filme se manifesta nessas imagens de hibridismo cultural, estratégia que evoca a frase memorável do teórico Robert Stam acerca de um “modernismo atávico”.

A viagem da hiena se recusa a endossar uma visão nostálgica do passado africano ou um entusiasmo cego por costumes contemporâneos e a ideologia do progresso. Embora os padrões idiossincráticos de montagem de Mambéty culminem em certa dose de preocupação, esta reação intrigante é sempre produtiva e nunca gratuita. Uma sequência de impressionante complexidade, que alia imagens de Mory sendo acorrentado a um caminhão pelos colegas de Anta (para eles ela estaria abandonando seus deveres revolucionários ao aliar-se a Mory) com cenas da tia de Anta acusando o personagem de ser alguém que nunca acerta, e um plano da tia esfolando uma cabra, destaca a tendência de Mambéty de abster-se de diálogos supérfluos ou retóricas grosseiras. Como ocorre em outros exemplos de montagem sofisticada, o significado exato dessa aglutinação de imagens deve ser determinado pelo espectador. Em termos gerais, a sequência pode ser vista como uma homenagem indireta e levemente maliciosa por parte do diretor ao protagonista de revigorante desrespeito. Nem um pseudo-revolucionário proferidor de slogans como os colegas de Anta, nem um moralista tradicional como a tia da personagem, Mory é um polimorfo cujo estatuto de estranho e trapaceiro inveterado o conecta à hiena (bouki), animal que na tradição oral africana representa a astúcia, assim como a capacidade de enganar e ser enganado.

Como vários personagens similares em filmes americanos e europeus, a voracidade de Mory é alimentada pelo desejo por dinheiro e a ilusão de um falso paraíso: a França, objeto de cobiça ilusório ao longo do filme (várias vezes evocado na trilha sonora pela ode de Josephine Baker a Paris) está, na verdade, longe de ser um refúgio para jovens descontentes, e sim um país ainda prenhe de valores racistas e colonialistas. (A trilha sonora multifacetada do filme, um hábil amálgama de sons ambientes, canções pop ocidentais, percussão africana e jazz de vanguarda, fornece um comentário sonoro para a oscilação do casal entre valores africanos e o Ocidente.) Mas, em oposição aos casais ilegais de filmes como Bonnie e Clyde e Terra de Ninguém (1973), o desejo por dinheiro de Mory e Anta nunca é meramente narcisista; sua inquietação corresponde ao destino de inúmeros ​​jovens senegaleses que anseiam se livrar da pobreza e da limitação imposta por tradições sufocantes, mas descobrem no exílio um sentimento mais profundo de alienação. Mambéty utiliza o humor negro para aplicar esses dilemas ao contexto de sua terra natal. Em uma cena crucial, Mory faz uma tentativa cômica de roubar os lucros de uma competição de luta livre destinada a um memorial para o General De Gaulle; quando o baú que supostamente contém o dinheiro é finalmente aberto, um crânio humano aparece. Mesmo após Mory conseguir dinheiro ao roubar um amigo rico, seus sonhos europeus contrastam com a conversa preconceituosa de visitantes franceses que estão de partida, e que não podem esperar para fugir de um país que consideram estagnado.

Mambéty foi um admirador convicto de seus protagonistas anti-heróis. Como ele destacou em uma de suas últimas entrevistas: “estou interessado em pessoas marginalizadas porque acredito que elas fazem mais pela evolução de uma comunidade do que os conformistas. Anta e Mory… sonham em encontrar algum tipo de Atlantis no estrangeiro. O fato deles seguirem seus sonhos me permitiu seguir os meus”. Enquanto Hienas, um dos filmes africanos mais analisados da década de 1990, foi, infelizmente, o último longa de Mambety, seus dois filmes subsequentes, Le franc (1994) e A pequena vendedora de sol (1999), que foi lançado postumamente, concretizam de forma sucinta sua sensibilidade tragicômica. Sua morte prematura em 1998 de câncer de pulmão foi uma perda irreparável para a comunidade cinematográfica internacional.

 

04 de junho de 2018

Foco – Janie Geiser

Postada em 04 de junho de 2018 em Conteúdo.

Foco – Janie Geiser

Filmes Familiares

 Os filmes de Janie Geiser são cheios de envelopes invisíveis, histórias secretas, significados ocultos e fortes emoções. A experiência de assistir a um deles – ou melhor ainda, a uma sequência de seus filmes – pode ser unicamente avassaladora. Isso é ainda mais notável porque praticamente todos os filmes realizados pela artista multidisciplinar, residente em Los Angeles, têm duração de menos de 12 minutos. (A única exceção é “Magnetismo Animal”, uma obra seriada composta por nove partes curtas). Todos eles são ágeis ao jogar com objetos familiares para transmitir sensações que são tanto cósmicas quanto particulares. Uma única flor, ou um desenho de uma, pode representar a natureza inteira em seus filmes; uma fotografia, bem examinada, pode contar a história de toda uma vida.

Os filmes de Janie narram histórias particulares de buscas – de personagens em busca de outros personagens, de pessoas desorientadas em busca de si próprias, da própria cineasta enquanto agrega materiais para reconstruir o passado. Junto com essas procuras, existem buscas internas feitas pelos espectadores dos filmes em resposta ao que eles reconhecem de suas próprias vidas e experiências. O Olhar de Cinema orgulhosamente oferece a eles uma oportunidade para explorar a obra dessa realizadora. A maior retrospectiva de seus filmes já realizada no mundo reúne 21 títulos, quase todos eles em sua estreia brasileira no Olhar. O filme mais recente dela, “Rua Valeria” (2018), terá aqui sua estreia mundial.

O festival terá ainda a sorte de contar com a presença da própria Janie, que apresentará quatro programas de seus filmes, além de uma expansão de seu filme “Mandril”, dentro de um evento ao vivo chamado de “Conversa Ilustrada”. Ela também apresentará mais dois programas reunindo filmes de artistas que ela admira – um filme fundamental de Edwin S. Porter, “Dream of a Rarebit Fiend” (1906), juntamente com outros notáveis trabalhos de 20 cineastas contemporâneos que aceitaram participar.

Embora a maioria desses cineastas residam nos Estados Unidos, eles vêm de lugares que incluem Índia, Inglaterra, Irlanda, Japão, Palestina e Turquia e realizam seus trabalhos em vários países, inclusive no Brasil (uma das principais locações do filme “Muitos Milhares Desaparecidos”, de Ephraim Asili, filmado entre Harlem e Salvador). Eles se juntam a Janie para mostrar que é possível se realizar um incrível cinema pessoal ao redor do mundo.

Janie, assim como os outros, mostram que nenhum artista age sozinho. Para a realização deste Foco, muitas pessoas precisam ser agradecidas. Entre elas, Kari Rae Seekins tem sido responsável pela mixagem de som dos filmes recentes de Janie e Astra Price tem sido fundamental para a finalização digital, incluindo muitas transferências novas a partir de originais em 16 mm. E Mariana Shellard merece uma gratidão especial, uma vez que a crença dela no valor desta retrospectiva ajudou a tornar  a proposta de um sonho em algo real e possível.

 

PROGRAMA 1: HISTÓRIAS SECRETAS

“O Livro Vermelho” (1994) usa figuras planas e pintadas e elementos de colagem para explorar o mundo psíquico de uma amnésica. “A História Secreta” (1996) traça o passeio de uma mulher através de paisagens com rios, inundações, casa, guerra, memória e doença. “Immer Zu” (1997) evoca um mundo oculto de mensagens secretas, linguagem enigmática, e códigos indecifráveis. “Movimento Perdido” (1999) usa pequenos personagens de metal e trens de brinquedo para retratar a busca de um homem. “Terraço 49” (2004) mostra imagens de um desastre iminente de encontro ao corpo de uma mulher enquanto ela se desvanece na textura fílmica. “A Quarta Vigília” (2000) apresenta quartos habitados por figuras silenciosas que ocupam o cintilante espaço da noite em uma casa de estanho .

QUANDO E ONDE

8JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
19h30

9JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
14h00

PROGRAMA 2: MAGNETISMO ANIMAL

“Magnetismo animal” foi um termo do século XIX para a técnica do físico alemão Franz Anton Mesmer para magneticamente induzir transes. O filme de Geiser “Magnetismo Animal” conta com uma narrativa elíptica em preto e branco que se desdobra em nove episódios curtos e auto-suficientes. Ela segue uma hipnotizadora através de um cenário de desejo, confusão e perda, em constante mudança. O filme também traz performers, animação de colagem, abstração, fotografias repetidas de um mesmo local, e elementos de pintura de uma maneira que remete ao cinema silencioso de melodrama e à narração seriada bem como ao expressionismo norte-americano.

QUANDO E ONDE

9JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
19h45
10JUN
Cineplex Batel (Sala 4 )
14h00

PROGRAMA 3: OS FILMES NERVOSOS

O programa abre com “Ultima Thule” (2002), no qual um pequeno avião prateado navega por uma tempestade ultramarina em direção ao mais afastado ponto ao norte. Este filme antecede Os Filmes Nervosos, uma série de quatro filmes realizados com colagens e centrados no corpo, na infância, na memória, na guerra, na doença e na perda. Eles utilizam ilustrações médicas, fotografias, filmes de arquivo, e outros materiais para evocar, mais do que narrar. Esses quatro “filmes nervosos” – “Álgebra Fantasma” (2009), “Vilão sem Piedade” (2010), “Ricky” (2011) e “O Chão do Mundo” (2010) – são seguidos pela estreia mundial de “Rua Valeria” (2018), um filme criado a partir de fotografias sobre narrativas possíveis e impossíveis.

QUANDO E ONDE

10JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
19h00
11JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
21h30

PROGRAMA 4: VISÃO DUPLA

O programa “Visão Dupla” apresenta sete filmes recentes de Geiser na seguinte ordem: “Mandril” (2012), “As Guerras dos Beija-Flores” (2014), “Jardim Cátodo” (2015), “Irmã Silenciosa” (2016), “Kriminalistik” (2013), “Olhe e Aprenda” (2017), e “Flores do Céu” (2016). A visão dupla de uma jornada de vida se desdobra ao longo de seus percursos compartilhados. Geiser reapropria-se de vários objetos efêmeros – objetos cênicos, notas escritas, e mais especialmente, fotografias achadas – para convocar o passado com uma força xamânica, preencher suas ausências com imaginação e memória, e curar suas feridas com sonhos atuais.

QUANDO E ONDE

11JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
16h15
12JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
14h30

PROGRAMA 5: DIÁLOGOS

Um dos primeiros filmes de Geiser, “Spiral Vessel”, que apresenta relações entre humanidade e ciência, passa em conjunto com filmes de outros dez artistas que ela admira, realizados a partir do tema de troca e diálogos. O programa inclui: “Eclipse” (2005, Jeanne Liotta), “Shadow” (2007, Ernie Gehr), “Dream of a Rarebit Fiend” (1906, Edwin S. Porter), “Muitos Milhares Desaparecidos” (2015, Ephraim Asili), “YOLO” (2015, Ben Russell), “Empyrean” (2017, Kalpana Subramanian), “Line Describing Your Mom” (2011, Michael Robinson), “Spiral Vessel” (2000, Janie Geiser), “Frequency Objects” (2013, Julie Murray), “Marseille Après La Guerre” (2015, Billy Woodberry), e “Village, silenced” (2012, Deborah Stratman).

QUANDO E ONDE

9JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
16h30
13JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
14h00

PROGRAMA 6: PASSAGENS

O programa apresenta filmes de 11 artistas contemporâneos admirados por Janie Geiser, todos eles abordando o tema de passagens. Aqui estão inclusos:  “Prima Materia” (2015, Charlotte Pryce), “House” (2005/7, Ben Rivers), “Shape of a Surface” (2017, Nazli Dinçel), “Orpheus (outtakes)” (2012, Mary Helena Clark), “Mount Song” (2013, Shambhavi Kaul), “Dez Manhãs Dez Tardes e Um Horizonte” (2016, Tomonari Nishikawa), “Lessons of War” (2014, Peggy Ahwesh), “The Silver Age” (2015, Lewis Klahr), “A Set of Miniatures” (2014, Jonathan Schwartz), “A Field Guide to the Ferns” (2015, Basma Alsharif), e “Wasteland No. 1: Ardent, Verdant” (2017, Jodie Mack).

QUANDO E ONDE

12JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
16h30
13JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
16h30
30 de maio de 2018

Ingressos à venda

Postada em 30 de maio de 2018 em Conteúdo.

Ingressos à venda

Já é possível comprar ingressos para todas as sessões do #7olhardecinema. Os ingressos estão sendo vendidos no local de exibição do filme: Shopping Crystal ou Shopping Novo Batel.

Ingresso: R$ 12,00 (inteira) | R$ 6,00 (meia entrada)

Mais informações sobre a venda de ingressos e horário das bilheterias em https://bit.ly/2IGQUHI

Programação com dia e horário dos filmes em https://bit.ly/2Lkjqwl

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