MINISTÉRIO DA CULTURA  apresenta

Notícias

26 de junho de 2018

Lojinha do Olhar

Postada em 26 de junho de 2018 em Notícias.

Lojinha do Olhar

Nós amamos tanto as identidades visuais de todos os anos que esse ano decidimos re-lançá-las em edições especiais de camisetas, eco-bags e canecas.
Infelizmente esse ano foi o que apresentou os maiores desafios financeiros para que o festival fosse realizado, e por isso, durante este mês estará rolando uma pré-venda com descontos para ajudar na produção do evento.
acesse nossa loja:
https://bit.ly/2wm8KtH

 

13 de junho de 2018

Premiados 2018 | 7º Olhar de Cinema

Postada em 13 de junho de 2018 em Notícias.

Premiados 2018 | 7º Olhar de Cinema

Competitiva

 

 

*Menção Especial: ELES VÊM AÍ! (¡Allá Vienen!), Ezequiel Reyes

 

 

Outros Prêmios

*Menção Especial: Estamos todos aqui, Chico Santos e Rafael Mellim

 

*Menção Especial: Lui, Denise Kelm

 

 

13 de junho de 2018

Programação 14 junho

Postada em 13 de junho de 2018 em Notícias.

Programação 14 junho

10 de junho de 2018

Conversa Ilustrada com Janie Geiser

Postada em 10 de junho de 2018 em Conteúdo, Notícias.

Conversa Ilustrada com Janie Geiser

A Conversa Ilustrada

Além das exibições de filmes na mostra Foco do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba deste ano, a artista norte-americana Janie Geiser apresentará uma “Conversa Ilustrada” centrada em uma re-animação de fotografias encontradas em seu filme Mandril, de 2012. Obcecada por desenterrar narrativas possíveis e impossíveis a partir de fotografias de estranhos e geografias desconhecidas, ela nos guia através de uma iluminação forense do espaço entre achados e perdidos. O breve texto abaixo dá uma descrição do evento, uma versão anterior do que ocorreu no FilmFest Dresden em 2016.

“Conversas Ilustradas” fazem parte de uma tradição antiga e moderna de imagens performáticas: contar histórias com fotos. A performance pictórica é a narrativa ancestral de uma infinidade de formas, desde pergaminhos japoneses até cantastoria medieval, shows de medicina, sideshows, “tableaux vivants”, imagens em movimento, PowerPoint e noticiários. A “Conversa Ilustrada” foi particularmente popular no final do século 19 e início do século 20, como uma forma básica de vaudeville e performance itinerante.

A “Conversa Ilustrada” de hoje à noite se concentra em Mandril, que surgiu a partir de um achado em um brechó: um grupo de 8 pequenas fotografias, amarradas com um elástico. Ao examinar as fotos, algumas coisas ficaram aparentes: um grupo de pessoas estavam de pé ou descansando em um campo com árvores distantes. Parecia verão, e as roupas sugeriam a Europa do pós-guerra. Mas quem eram essas pessoas? Por que eles estavam reunidos naquele dia? Por que tantos deles estavam olhando para longe da câmera, no horizonte distante ou além? Quem tirou essas fotos?

Geiser desdobra seu processo para nós, de um experimento, tentativa e erro, descoberta e acaso, enquanto ela tenta desenterrar algo essencial das fotografias. Ela coloca questões sem respostas e sugere um espaço liminar entre representação e abstração, figura e paisagem, ficção e memória.

Começando com as imagens originais e inalteradas, Geiser nos revela suas manipulações cinematográficas: reenquadrando, mergulhando, invertendo e fundindo as imagens fotográficas com outros traços materiais, incluindo flores e sombras. Os habitantes de Mandril deslocam-se através de sua tarde indescritível, gradualmente sucumbindo ao tempo ou se dissolvendo na paisagem, reservando para si mesmos o que não podemos saber.

Conversa Ilustrada

DATA E HORÁRIO: SEG 11/06 | 19H00

LOCAL: SHOPPING CRYSTAL (ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA) | Sala 1

ENTRADA GRATUITA / Os ingressos serão distribuídos na bilheteria 1 horas antes do início.

 

07 de junho de 2018

A história de Alice Guy-Blaché

Postada em 07 de junho de 2018 em Notícias.

A história de Alice Guy-Blaché

A história de Alice Guy-Blaché

Um dos destaques da sétima edição de Olhar de Cinema é um programa na mostra Clássicos de oito filmes dirigidos por Alice Guy-Blaché: https://www.olhardecinema.com.br/2018/br/produto/programa-de-curtas-alice-guy-blache/ . Os filmes, todos recém-restaurados e providenciados pela Biblioteca de Congresso, nos EUA, foram realizados entre os anos 1911 e 1913, durante a fase americana da prolífica e fundamental realizadora francesa. Em uma maneira cativante, eles mostram o desenvolvimento de uma linguagem – tanto de uma realizadora, quanto de uma nova arte.

O texto seguinte sobre a vida e obra geral de Alice Guy-Blaché foi escrito pela pesquisadora gaúcha Juliana Costa e compartilhado com Olhar de Cinema em celebração do programa. Juliana é mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, fundadora do Cineclube Academia das Musas (cuja revista publicou uma versão anterior deste texto que pode ser encontrado em https://cineclubeacademiadasmusas.wordpress.com/), editora e colaboradora do fanzine Zinematógrafo e membro da ACCIRS – Associação de Críticos do Estado do Rio Grande do Sul. Somos gratos a ela, e a Alice.

 Alice Guy-Blaché foi a mais importante realizadora da virada do século IX/XX e a diversidade da sua produção vai de belas vistas e experimentos visuais, de montagem e narrativos, tendo feito o primeiro filme narrativo de ficção da história do cinema[i], até a realização de longa-metragens. São atribuídos a ela mais de 1.000 filmes[ii] produzidos entre 1896 e 1922. Após a morte de seu pai, Guy começou como tipista e datilógrafa na Companhia Gaumont em 1894, aos 21 anos, um ano antes da fundação da companhia por Leon Gaumont. Logo tornou-se a principal encarregada da empresa e foi sob a sua direção que a companhia se expandiu. Consta que Alice estava com Leon Gaumont no dia 22 de março de 1895, na primeira exibição de filmes dos Irmãos Lumiére, com os quais os dois em breve viriam a trabalhar. De secretária, gerente logística, responsável pelos contatos com clientes e engenheiros de equipamentos fotográficos e de filmagem, Alice viria a ocupar também funções criativas e roteirizar, produzir e dirigir seus próprios filmes. Em 1896, produz então o primeiro filme narrativo de ficção da história do cinema, A Fada dos Repolhos[iii].

Pelo sucesso deste filme, passou a produzir e a dirigir vários filmes para a produtora. São da fase de seu trabalho na Gaumont, por exemplo, os filmes de peças de dança, muitas vezes coloridos à mão, como vários Danse serpentine (de 1897 a 1902), Danse Fleur de Lotus (1897), Ballet Libella (1898), Danse du Papillon (1900) e Le Danse des Saison (1900)[iv], entre muitos outros deste gênero. Dessa fase também são os filmes cômicos, coreografados ou com truques de montagem do tipo “some e aparece”, como The Burglars (1898) e The Landlady (1900). Suas vistas lumerianas, ou registros de realidade, alcançam também uma sensibilidade muito específica, destaco o filme Bathing in a Stream (1897), em que Alice filma um grupo de jovens se banhando em uma queda d’água. Entre seus vários experimentos, estão Avenue de l’Opéra (1900), em que a realizadora inverte o filme e faz com que todos se movimentem de trás para frente, e seus incríveis experimentos em busca do cinema sonoro como em Dranem Performs ‘Five O’Clock Tea’ (1905) e o Félix Mayol Performs ‘Indiscreet Questions’ (1905), nos quais Alice opera com um sistema de sincronização de som e imagens, o “Chronophone”[v] de tecnologia avançada para a época.

De meados de outubro até o final de novembro de 1905, Alice Guy viaja pela Espanha (Barcelona, Zaragoza, Madrid, Córdoba, Sevilha, Gibraltar, Granada, Serra Nevada e Algeciras) com seu cameraman, Anatole Thiberville. A dupla fez diversos filmes em teatros e ao ar livre, registrando costumes locais, ruas e vistas de paisagens, silenciosos e com som. Infelizmente, muitos dos filmes sonoros realizados nesta viagem foram considerados inutilizáveis devido a uma falha técnica em seu regresso[vi]. É característica dos filmes desta primeira fase o experimentalismo tecnológico e de manipulação da imagem. Sem dúvida a sua relação com técnicos e engenheiros do cinema como secretária e encarregada da Gaumont deram a ela um conhecimento técnico dos equipamentos de filmagem e mesmo dos processos de produção e revelação das películas, que poucos possuíam no período. Logo Alice começaria a experimentar também em suas narrativas e formas de contar as histórias.

“O Cair das Folhas”

De volta a Paris, a partir de 1906, a cineasta começa a rodar muitos filmes com a duração de um carretel (cerca de 13 minutos), com narrativas mais sofisticadas, que eram grande sucesso de público. Três exemplos desta fase são Anarchiste (1906), que conta o episódio de um menino salvo pela mãe da execução por soldados franceses; Heroine (1907), filme sobre uma pequena menina que foge da sua mãe, vive várias aventuras em um parque e, sozinha, acaba ajudando a polícia a prender um ladrão; e Les Résultats du Féminisme (1906), uma crítica ácida e bem humorada aos papéis sociais de homens e mulheres, em que ela imagina um mundo com as tarefas invertidas, homens cuidando da casa e das crianças enquanto e mulheres bebendo e fumando nos bares. É desta fase também o ambicioso La vie du Christ (1906), um filme de 35 minutos, feito de pequenas cenas, com um grande orçamento para a época. Com título autoexplicativo, o filme conta a história de Jesus Cristo por meio da encenação das passagens bíblicas: a chegada da família santa em Belém, nascimento de Cristo, cura de Lázaro, julgamento de Poncio Pilatos, crucificação e ressurreição.

Em 1907, casa-se com Herbert Blaché e parte para Nova Iorque, onde ele atuaria como gerente de produção local da Companhia Gaumont. Em 1910, o casal se associa a George A. Magie para fundar a Companhia Solax, o maior estúdio pré-Hollywood dos Estados Unidos, assim Alice Guy torna-se a primeira mulher a estar à frente de uma companhia de cinema nos Estados Unidos. Nos catálogos oficias dos filmes das duas companhias, não constam os filmes produzidos no período de 1907 a 1910, que seria a “fase americana” da Gaumont, o que nos leva a crer que esta expansão não deu muito certo, ou ao menos esta tentativa.

Na Solax, seu marido trabalhou como gerente de produção e diretor de fotografia e Alice Guy como diretora artística, dirigindo muitos de seus lançamentos. Durante os dois anos em que teve sucesso, a Solax Company começou a carreira de vários atores e transformou em estrelas artistas como Darwin Karr e Blanche Cornwall, que estrelaram uma série de melodramas críticos ao sistema social, como A Man’s a Man (1912), The Roads That Lead Home (1913), The Girl in the Armchair (1913) e The Making of an American Citizen (1911), filmes de ação, como The Detective and His Dog (1912) e o filme multi-carretéis The Pit and the Pendulum (1913)[vii], de 30 minutos de duração. Karr e Cornwall também estrelaram comédias como A Comedy of Errors (1912), Canned Harmony (Harmonia Enlatada, 1912), His Double (1912), e Burstop Holmes’ Murder Case (1913). Outros filmes da Solax de comédia de travessuras de Guy que se destacaram são Cupid and the Comet (1911), e What Happened to Officer Henderson (1913). Há também o filme perdido In the Year 2000 (1912), em que os papéis de gênero masculino e feminino são completamente invertidos[viii], fazendo uma alusão ao seu filme do período da Gaumont francesa Le Résultats du féminisme (1906). Grande parte destes filmes de um carretel fílmico, que tinham duração de 12 a 15 minutos, foi sucesso na época e Alice e Herbert eram grandes nomes na indústria cinematográfica nascente.

Após estes lançamentos, o casal pode fazer investimentos em novas tecnologias de filmagem e instalações de produção da companhia em Fort Lee, Nova Jersey, onde muitos dos primeiros estúdios americanos estavam instalados no período. Assim, a partir de 1912, começaram a produzir filmes mais longos, utilizando o comprimento de um carretel ao limite e até fazendo algumas produções de dois carretéis. Um marco da produtora, Dick Whittington and His Cat (1913), teve o comprimento de três rolos (45 minutos), um orçamento de US$ 35.000, e filmagens super elaboradas (incluindo a queima de um barco). Foi o projeto mais ambicioso do estúdio e também de Alice Guy, e, provavelmente, a obra-prima de seu período de Solax[ix]. Ainda assim, a empresa acaba contraindo dívidas, talvez por não se adaptar bem às narrativas mais longas que o período exigia, e em 1913, para fugir da influência do Banco Seligman (ao qual já pertencia boa parte da empresa em função dos empréstimos), Herbert Blaché sai da Solax e funda sua própria companhia, a Blaché Features. Blaché utiliza estúdios, cenários e figurinos e atores da Solax, o que faz as duas empresas quase indistinguíveis no início. Blaché e Guy se alternam na produção e na direção de filmes média e longa-metragens na empresa de Blaché, até que em 1914 a Solax é finalmente extinta. No final de 1914, as demandas do mercado passam para cinco ou mais rolos de filmes, o que implicava produções de mais de uma hora de duração, então o casal se une ao Popular Plays and Players, uma produtora que produzia filmes para distribuidores como MetroPathé e World Film. A parceria com a produtora termina em 1916, quando os Alice e Herbert, atuando como US Amusement Corporation, decidem fazer seus próprios negócios de distribuição com os mesmos clientes que compravam seus filmes da Popular Plays and Players. Neste período, Guy dirige sete longa-metragens, incluindo Ocean Waif (1916) e The Great Adventure (1918), estrelado por Bessie Love, para Pathé Players. Alice continua dirigindo filmes até 1922, quando, após se separar de Herbert, volta para França com seus dois filhos. Lá começa a lecionar cinema e a escrever revistas e novelas a partir de roteiros fílmicos.

Apesar de Guy não ser exatamente uma militante das questões de gênero, e da realizadora ter feitos filmes de todo o tipo, de westerns a comédias de costume, muitos de seus filmes (talvez a maior parte), traz personagens femininas bem trabalhadas, de todas as faixas etárias (de crianças a idosas), protagonistas em relação ao seu destino, cômicas e independentes, além de abordarem com sensibilidade temas do universo feminino. Alguns mais sutis como os que trazem personagens femininas infantis como protagonistas da trama e agentes da narrativa, como em Heroine (1907) e Falling Leaves (O Cair das Folhas, 1912), outros mais enfáticos como Les Résultats du Féminisme (1906) e In The Year 2000 (1912). Os temas sociais também são importantes para Guy, como em The Making of an American Citizen (1911), em que trata da questão dos imigrantes na América. Em Pierrette’s Escapades (1900), Arlequim, Pierrô e Colombina interagem em uma cena coreografada de intriga amorosas, em que os dois personagens masculinos são interpretados por mulheres e acabam se beijando ao final da película, lançando mão de questões sobre comportamento, sexualidade e gênero. Apenas a partir dos filmes recuperados e disponíveis para pesquisa já é inquestionável a importância da obra de Alice Guy para a história do cinema, o desenvolvimento da linguagem cinematográfica e o nascimento da indústria norte-americana, mas apenas com investimento em pesquisa e restauro dos seus filmes que teremos ideia do tamanho de sua obra.

 

[i] Universal Women: Filmmaking and Institutional Change in Early Hollywood, de Mark Garret Cooper.

[ii] https://en.wikipedia.org/wiki/Alice_Guy-Blach%C3%A9

[iii] La Fée Aux Choux (1896) ou A Fada dos Repolhos,  é um filme de 53 segundos que se refere a uma lenda sobre o nascimento dos bebês. No filme, uma “fada” dança em um cenário bem construído, simulando uma plantação de repolhos, enquanto “colhe” bebês reais e bonecas das plantas. Colocando as crianças em destaque em primeiro plano e as bonecas ao fundo, Alice compõe uma mise-en-scène bem elaborada para a época. Filme disponível no Youtube.

[iv] Todos os filmes citados da fase Gaumont estão disponíveis no Youtube.

[v] O termo Sound-on-disc se refere a um tipo processo de filme sonoro que utiliza um “fonógrafo” ou outra faixa para gravar ou ainda um som playback em sincronia com as imagens em movimento.

[vi] Site oficial Alice Guy, catálogo de filmes Gaumont, em http://aliceguyblache.com/sites/default/files/pdfs/Gaumont_Filmography.pdf

[vii] Está disponível no Youtube um trecho de seis minutos deste filme.

[viii] Site Women Film Pioneers Project, https://wfpp.cdrs.columbia.edu/pioneer/ccp-alice-guy-blache/

[ix] Site oficial Alice Guy, introdução da filmografia de Guy-Blaché por Alison McMahan, em http://aliceguyblache.com/sites/default/files/pdfs/Feature_Films_of_Alice_Guy_Blache.pdf

 

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