MINISTÉRIO DA CULTURA  apresenta

Notícias

26 de agosto de 2018

Projetos Selecionados – Curitiba_Lab – Módulo Documentário Criativo

Postada em 26 de agosto de 2018 em Sem categoria.

Projetos Selecionados – Curitiba_Lab – Módulo Documentário Criativo

Os projetos selecionados para o Curitiba_Lab – Módulo Documentário criativo já podem ser conferidos em:

https://www.olhardecinema.com.br/2018/br/mercado/curitiba_lab/

 

08 de junho de 2018

DERIVAS DA FICÇÃO: NOTAS SOBRE O CINEMA DE JEAN ROUCH

Postada em 08 de junho de 2018 em Sem categoria.

DERIVAS DA FICÇÃO: NOTAS SOBRE O CINEMA DE JEAN ROUCH

DERIVAS DA FICÇÃO: NOTAS SOBRE O CINEMA DE JEAN ROUCH

Jean-André Fieschi*

 [Este texto consiste em um excerto (págs. 28 a 31) do artigo homônimo publicado no catálogo “Jean Rouch: Retrospectivas e Colóquios no Brasil” (2009) vinculado à mostra realizada pela produtora Balafon em 2009/2010. Agradecemos a Mateus Araújo Silva, tradutor do original em francês, além de organizador da mostra e do catálogo, por nos autorizar a publicação aqui. O artigo completo está disponível em: www.fafich.ufmg.br/devires/index.php/Devires/issue/view/12]

Rouch (…) será um dos grandes prospectores do cinema contemporâneo. Ao contrário de uma prática jornalística mistificada, à la Leacock, de pseudo não intervenção, ele trabalhará sobre processos, interações, numa invenção recíproca entre matéria e método, filme e discurso. O mundo nunca se dá tal e qual a inocência de uma película, a virgindade de um olhar. E, aliás, qual mundo? Poderíamos dizer, para simplificar, que o deslocamento do cinema de Rouch se efetua cada vez mais claramente na direção do imaginário. É bem verdade que este já estava inscrito e realizado desde os primeiros filmes sobre ritos. Mas pouco a pouco ele vai ficando diversamente delimitado, desvelado, cada vez mais tributário de um sistema de representação mais mediado que o do simples registro, inscrevendo a parte de fabulação própria a todo sistema de representação (de um indivíduo num grupo étnico, social, ou do próprio grupo), sem esquecer a parte, apagada e central, do observador que a recolhe (filtrando-a, desenvolvendo-a, dando-lhe forma), e dos meios técnicos que a encaminham até seu acabamento espetacular, produto de depósitos sucessivos pertencentes a diversos sistemas (sistema social e cultural em que se efetua sua recepção, sistema cultural e técnico em que se efetua sua transmissão). O cinema de Rouch é esse receptáculo de uma rede particularmente complexa de translações e deslocamentos que nos permite compreender de outro modo, em seus efeitos mais produtivos, a frase de Lévi-Strauss citada há pouco, sobre o exílio assumido do etnólogo: “Ele nunca mais, em parte alguma, se sentirá em casa”. Esta é mesmo a única acepção em que se pode entender a designação de Rouch como cineasta exótico. Exótico, é bem verdade, mas só por seu flanco africano?

Eu, um negro (1957-8) coloca claramente a questão desse descentramento, isto é, a questão do “quem fala?”. O filme que se auto-intitula dessa forma? O autor exibindo ironicamente a diferença de seu estatuto? Um de seus personagens? Seja como for, dessa vez é um monólogo que se dá a ver ou a escutar. Mais precisamente: um tecido de monólogos se unindo em uma única via feita de uma soma de diferenças. Os personagens: reais (eles existem, podemos encontrá-los, em Abidjan por exemplo, Abidjan das lagunas). Desdobrados, também, por trás das figuras míticas que eles mesmos elegeram, como Dorothy Lamour ou, desdobramento de segundo grau fundindo ator, personagem e função, Eddie Constantine / Lemmie Caution / agente federal americano. Ou ainda: Ray Sugar Robinson.

O que Rouch filma então, e em primeiro lugar, não são mais as condutas, ou os sonhos, ou os discursos subjetivos, mas a mistura indissociável que os liga um ao outro. O desejo do cineasta é dedicar-se ao desejo de seus personagens, organizando-o. De segui-los passo a passo, na linhagem, se quisermos, do projeto fundamental neo-realista (zavattiniano), mas rente à palavra deles (ao que ela revela) pelo menos tanto quanto à sua conduta. Encarnando seus fracassos, suas utopias, suas fomes. A guerra da Indochina contada (imitada) por um, os navios designados pelo outro, no porto, quando ele afirma ter viajado em todos os mares e conquistado todas as mulheres, o monólogo do galã na saída da missa, a briga provocada com o italiano: momentos inesquecíveis em que se inscreve o vestígio dos filmes vistos pelos personagens, das histórias em quadrinhos lidas por eles, das narrativas que eles ouviram e que, com uma distância e um fascínio inimitáveis, eles restituem num novo relato, feixe de relatos estratificados alhures e diferentemente, desenvolvendo um espaço lúdico que o cineasta inventa e provoca ao mesmo tempo, e do qual se apropria. Toda distância entre improvisação e premeditação parece aqui abolida, como se (mas o “como se” deve ser fortemente sublinhado), de agora em diante, fosse possível uma transparência entre espaço mental e espaço representado. Ao preço, parece, de uma cumplicidade, de um espírito de clã (entre autor e personagens), ou mesmo de um certo gosto da burla e da mistificação que são signos de uma infância preservada e retomada. Este ponto é capital, tanto pelo que ensina do desejo de Rouch quanto pelo que revela da inflexão rumo à criação coletiva (esses personagens logo se tornarão técnicos tanto quanto atores, quase “profissionais”, seríamos tentados a dizer se o termo não fizesse sorrir nesse contexto). Criação coletiva, improvisação, espontaneidade, cumplicidade: talvez sejam esses os meios privilegiados pelos quais Rouch, de observador de ritos, cruzou a linha para se tornar, a seu modo, criador de ritos.

Eu, um negro é seguramente um ponto de inflexão, no cinema de Rouch e no cinema em geral. Dizendo mais, certamente, sobre Treichville e seus habitantes do que muitas constatações de aparência mais “objetiva”. Dizendo mais, e sobretudo, de modo diferente. Nos Mestres loucos, os próprios membros da seita criavam a mise en scène de seu delírio coletivo em que, vestidos com trajes imaginários de personagens emblemáticos da colonização (o governador, o general, o cabo, o condutor de locomotiva), davam diretamente o espetáculo de um imaginário em ato: uma representação “selvagem” e “regrada”. A partir de Eu, um negro, é toda uma função nova da câmera que se estabelece: não mais simples aparelho de registro, mas agora agente provocador, estimulante, deflagrador de situações, conflitos, itinerários que, sem ela, jamais aconteceriam ou, em todo caso, jamais daquela forma. Não se trata mais de fazer “como se” a câmera não estivesse ali, mas de transformar seu papel afirmando sua presença, sua função, transformando um obstáculo técnico num pretexto para o desvelamento de coisas novas e surpreendentes. Trata-se de criar, pelo ato mesmo de filmar, uma concepção completamente nova do acontecimento fílmico. Diante da câmera de Rouch, que os precede ou os segue, os habitantes de Treichville interpretam primeiro o que eles mesmos escolhem mostrar de si mesmos. Depois, vendo-se na tela, comentam sua atuação, a duplicam ou a deslocam. Um objeto cultural complexo nasce assim dessas operações sucessivas, pelas quais se abre uma via praticamente inexplorada, um cinema da aventura, tanto a do material quanto a de sua descoberta.

 

(Tradução: Mateus Araújo Silva)

Sobre o autor: Jean-André Fieschi (1942-2009) foi cineasta, crítico e professor de origem francesa.


O INSUSTENTÁVEL OLHAR DO FILME ETNOGRÁFICO

Mahomed Bamba**

[Este texto consiste em um excerto (págs. 99 a 101) do artigo de título “Jean Rouch: cineasta africanista?” publicado na revista DEVIRES – Cinema e Humanidades, v.6, n.1, p. 92, de jan/jun 2009. Agradecemos aos editores da revista por nos autorizarem a publicação aqui, em especial a Mateus Araújo Silva enquanto organizador do dossiê temático Jean Rouch. Este artigo completo assim como os dois números da revista dedicados ao cinema de Rouch estão disponíveis em: www.fafich.ufmg.br/devires/index.php/Devires/issue/view/12]

O que filmes como Kenya (1961), de Richard Leacock, The boy Kumasena (1952), de Sean Graham, Afrique 50 (1950), de Roger Vautrier, e a obra de Jean Rouch têm em comum? Todos têm a marca indelével da estética do cinema etnográfico. Ilustram, cada qual à sua maneira, os três eixos da problemática da alteridade, tal como definida por Todorov (A conquista da América, 2003) sobre a relação de Las Casas com os índios. São filmes feitos por cineastas ocidentais, com paixão e, às vezes, com um senso de engajamento político, sobre um continente e seus costumes. São filmes sobre a descolonização. No entanto, todos carregam o problema da condescendência no olhar. Esse sentimento é reforçado ainda mais quando se pensa que trazem representações pitorescas de lugares onde o direito de olhar para sua própria realidade continuava sendo, para os nativos, um objeto de conquista. Sem contar o fato de que muitos desses filmes eram obras encomendadas. As mesmas críticas feitas ao africanismo, na sua versão antropológica, encontram eco nas dúvidas e na perplexidade que despertam os filmes etnográficos em que a prepotência de entender melhor os africanos se mistura com a ambição de explicar a África a um público ocidental. Nessa lógica, o africanismo de qualquer etnólogo-cineasta passa a ser assimilado à busca de exotismo que subjaz à dominação colonial. Embora os documentários de Jean Rouch sobre a África dos anos 50-60 não compartilhassem a lógica e a ideologia do discurso colonial, a reminiscência do contexto histórico do qual esses filmes emanam continua problematizando sua leitura.

A partir daqui convém se perguntar se as imagens produzidas por Jean Rouch sobre a África expressam uma vontade de superação ou um gesto de prolongamento do velho eurocentrismo na representação do Outro. Até que ponto se pode acusar seus filmes etnográficos de terem confiscado aos africanos a capacidade de se reinventarem e, consequentemente, de terem anulado a possibilidade da auto-representação? Diferentemente de outros cineastas-etnólogos, Jean Rouch conseguiu, ao seu modo, escapar dessa armadilha. Pelo menos, conseguiu minorar as suspeições colonialistas por opções estilísticas que revolucionaram e consagraram toda a sua arte do documentário etnográfico. Como se sabe, Rouch chega em Níger em 1940 – como uma espécie de Lawrence da Arábia – como simples funcionário da administração colonial. Mas, rapidamente, ele troca a sua função de engenheiro pelo papel de etnólogo atento aos hábitos culturais e sociais locais. Realiza seus primeiros documentários que se distinguem nitidamente da linha do cinema colonial dominante naquele período. Mesmo assim, são filmes etnográficos, e como tais levantam a incontornável questão das distorções e conotações políticas ligadas àquilo que Robert Stam chama de “fardo da representação” do Outro, do diferente (STAM; SHOAHT, 2006). Mas, vista de outro ângulo, a filmografia do etnólogo francês permite considerações interessantes sobre o que é rotulado hoje como “controle das minorias sobre a representação”. Jean Rouch levou até as últimas consequências a estética do cinema direto nas suas investigações etnográficas sobre as sociedades francesas e africanas. Se ele pode ser legitimamente considerado como pioneiro no recurso a dispositivos de filmagem e de narrativa que libertam o Outro do peso da representação, é porque em muitos de seus filmes observa-se um protagonismo ativo do ser africano. A aparente espontaneidade, fingida ou natural, parece devolver aos atores negros uma certa expressão da subjetividade que rompe com a sua passividade nos demais filmes coloniais. Jaguar e Eu, um negro são construídos como percursos. No primeiro filme citado, há uma viagem, uma travessia de um país ao outro, a transição de uma cultura africana à outra (a do Níger e da Costa do Ouro) protagonizada por três personagens. No segundo filme, trata-se de uma deambulação fortemente marcada pela subjetividade de um único indivíduo no interior de uma mesma cidade. Nesses deslocamentos, é como se o sujeito africano estivesse protagonizando sua história. É como se os protagonistas levassem o filme aonde bem quisessem. A câmera participativa se contenta em segui-los nas suas trajetórias. Em Jaguar, o êxodo se transforma rapidamente num grande pretexto para os três personagens lançarem um olhar etnográfico sobre a realidade circundante, sobre os povos, as mulheres e hábitos culturais que encontram na sua peregrinação para a Costa do Ouro. Antes dos três personagens se transformarem em objeto de curiosidade para uma plateia europeia, Jean Rouch toma a liberdade de situá-los numa inédita relação de alteridade com outros hábitos culturais que eles vão encontrando no caminho. Entre estranhamento e fascínio, eles produzem discursos, fazem comentários de cunho valorativo. Além das fortunas materiais que trazem desse eldorado africano, o que parece importar são as narrativas, as histórias que terão de contar aos seus conterrâneos. Com a opção de deixar os seus personagens se expressarem livremente sobre as imagens registradas, é como se Rouch quisesse mostrar que os negros africanos não são todos “iguais” (como ainda se pensa na Europa).

Se muitos definem o cinema de Rouch como uma “etnoficção”, é por causa da mistura de dois tipos de subjetividade na realização de seus documentários: a do cineasta (com controle sobre aquilo que filma) e a do sujeito filmado (livre, até certo ponto, para interagir na representação). Essa restituição do estatuto de sujeito pleno ao homem africano foi objeto de várias teses e comentários. Embora essa opção estilística e ética já estivesse presente nos trabalhos de outros documentaristas, nos documentários de Rouch o protagonismo do homem negro filmado pelo homem branco ganha uma nova ressonância e relevância. Cria uma cisão entre filmes feitos sobre a África (em que os homens fazem apenas parte do ambiente) e filmes “feitos na África”, nos quais se conta com a participação ativa e consciente dos próprios africanos. Para Guy Gauthier, não há dúvida de que a técnica do cinema direto (defendida por Rouch) trouxe, na maioria dos documentários, “um aprofundamento do momento vivenciado, uma possibilidade de transferir a palavra aos atores da história, que não são os atores do filme” (GAUTHIER, 1995: 145). O recurso à voz, a do próprio documentarista e a dos atores da história, acabou sendo uma marca registrada nos filmes de Rouch sobre a África. A voz do homem africano ecoa atrás e através das imagens registradas pelo homem branco a ponto de ser uma narrativa em paralelo. Se os documentários de Jean Rouch podem ser classificados e comparados como aquilo que Gauthier chama de “filmes-de-vida”, é por causa da “qualidade de escuta de seus personagens-vetores, cuja fala é rica e prenhe de experiência”.

**Sobre o autor: Natural de Costa do Marfim, Mahomed Bamba (1966-2015) foi professor na Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pesquisador de cinema e audiovisual com foco nos cinemas africanos e da diáspora.

REFERÊNCIAS
GAUTHIER, Guy. Le Documentaire: un autre cinéma. Paris: Armand Colin, 1995.
STAM, Robert; SHOHAT, Ella. Crítica da imagem eurocêntrica. São Paulo: Cosac Naify, 2006.
TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

 

 

 

05 de junho de 2018

Olhar Retrospectivo – fique por dentro da mostra!

Postada em 05 de junho de 2018 em Sem categoria.

Olhar Retrospectivo – fique por dentro da mostra!

Olhar de Cinema apresenta a sua primeira retrospectiva dupla. A seleção inclui 15 filmes realizados entre 1955 e 1999 pelos mestres de cinema mundial Djibril Diop Mambéty (1945-1998) e Jean Rouch (1917-2004). A realização deste evento especial traz à tona uma pergunta: por quê programar estes dois realizadores juntos?

Não existe uma conexão biográfica evidente entre eles – provavelmente nunca trabalharam juntos e suas produções seguiram caminhos distintos. No decorrer de sua breve vida, o cineasta, ator e griot senegalês Mambéty fez apenas sete filmes, dos quais o Olhar exibirá seis nas melhores cópias digitais existentes, o que inclui novas restaurações em DCP de Hienas (1992) e A pequena vendedora de sol (1999). (Esperamos que seja realizada futuramente a restauração digital de seu único filme não incluído aqui, Badou Boy, de 1970.)

Em contraponto, o cineasta e antropólogo francês Rouch criou mais filmes do que foi possível acompanhar. Dessa vasta produção de mais de 100 títulos, Olhar exibirá nove obras – uma seleção de oito filmes recém-restaurados em DCP que estrearam no ano passado em razão do centenário do autor, além de uma projeção em Blu-ray da restauração previamente lançada do fundacional Crônica de um verão (1961), dirigido por ele e Edgar Morin.

Gostaríamos de ressaltar que o Olhar Retrospectivo de 2018 só foi possível graças ao apoio do Les Films de la Pleiade, do Institut Français e de La Cinémathèque Afrique, do Consulado Geral da Suíça em São Paulo, do The Film Foundation, do World Cinema Project, da Cineteca di Bologna, da Prince Film SA, da Waka Films e do filho do diretor Djibril Diop Mambéty: Teemour D. Mambety.

                  

   

 

Djibril Diop Mambéty

A PEQUENA VENDEDORA DE SOL

A protagonista do último filme de Mambéty (finalizado postumamente) é uma garota pobre e paraplégica chamada Sali Laam (interpretada por Lissa Balera) que sobrevive em Dakar às margens do poder. Sua crença sincera e firme em suas próprias capacidades – simbolizada principalmente no trabalho que ela busca de vender exemplares do jornal Soleil – torna a irradiante Sali uma das grandes personagens do cinema atual. Ainda assim, as imagens que a individualizam são costuradas a uma dinâmica coletiva, que se estende a outros habitantes “comuns” do mesmo contexto periférico.

QUANDO E ONDE
8JUN
Cineplex Batel (Sala 5)
19h30
13JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
14h15

A VIAGEM DA HIENA

O terceiro filme (e segundo longa-metragem) de Mambéty é um dos mais importantes do século passado. Ele segue a explosiva trilha de rebeldia do casal on the run Mory (interpretado por Magaye Niang) e Anta (Mareme Niang), que sonha em abandonar as dificuldades do Senegal rumo ao paraíso idealizado na França, onipresente na trilha sonora graças à voz de Josephine Baker. Mory, anti-herói polimorfo e outsider, complexifica as contradições da realidade pós-colonial ao corporificar seus opostos: entre tradição e modernidade, o desejo de fugir e o de permanecer lutando. “A viagem da hiena” vai contrapondo mundos distintos em formas radicais e poéticas.

QUANDO E ONDE
9JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
18h45
10JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
20h45

CONTRAS’CITY

urta-metragem que inaugura a incursão de Mambéty na direção, “Contras’city” inscreve procedimentos de montagem disruptivos e de vanguarda que vão na contramão de uma concepção realista e linear de cinema. Seu tema é a arquitetura da capital senegalesa de Dakar, vista através de planos entrecortados que contrastam estilos arquitetônicos – de um lado os barrocos prédios de governo, de outro, a pobreza das habitações populares. O som não-sincrônico descreve a paisagem, com um diálogo de tom jocoso entre uma francesa e um homem (a quem o próprio Mambéty, ator por formação, empresta a voz).

QUANDO E ONDE
7JUN
Cineplex Batel (Sala 4)
16h45
11JUN
Cineplex Batel (Sala 4)
16h30

HIENAS

O último longa-metragem de Mambéty é inspirado na peça A visita da velha senhora (1956), do suíço Friedrich Dürrenmatt. O cenário é Colobane, vila de origem do cineasta, e palco para personagens iludidos pela promessa de materialismo ocidental, entre eles, a rica e vingativa Linguère Ramatou (Ami Diakhate), que volta do exterior em busca de seu ex-companheiro Draman Drameh (Mansour Diaf). Esta visão alegórica de sociedades africanas pós-coloniais aprofunda signos da obra anterior de Mambéty, como a hiena e sua simbologia traiçoeira. Uma construção visualmente carregada flerta com o fantástico em um conto fabular sobre a ganância e suas perdas humanas.

QUANDO E ONDE
7JUN
Espaço Itaú (Sala 3)
14h30
9JUN
Cineplex Batel (Sala 4)
21h00

LE FRANC

O farsesco “Le Franc” parte do contexto de desvalorização da moeda da África Ocidental em 1994 e a consequente dificuldade que se abateu sobre a população. Ele conta as desventuras de Marigo (interpretado por Dieye Ma Dieye), um jovem e pobre músico urbano que guarda em casa um bilhete de loteria, junto com um cartaz do herói popular senegalês Yaadikoone. A primazia dupla de uma influência musical e um universo onírico sobre a vida do protagonista é tematizada no seu instrumento, a congoma, que ele perde por conta do atraso no aluguel e sobre a qual ele sonha em comprar mil iguais.

QUANDO E ONDE
7JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
19h30
12JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
21h45

VAMOS CONVERSAR, AVÓ

O primeiro filme concluído por Mambéty nos 16 anos após “A Viagem da Hiena” acompanha o processo de realização do longa-metragem “Yaaba” (1989, “Avó”), considerado uma das obras-primas do cinema africano e dirigido pelo recém-falecido mestre Idrissa Ouedraogo (1954-2018), de Burkina Faso. “Vamos Conversar, Avó” foi concebido sem tradução ou legendas, como uma peça audiovisual imersiva e menor, proporcionando um mergulho no imaginário das crianças rurais que protagonizam “Yaaba”, além de construir uma bela homenagem ao cinema realizado no continente.

QUANDO E ONDE
8JUN
Cineplex Batel (Sala 5)
19h30
13JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
14h15

Jean Rouch

A CAÇA AO LEÃO COM ARCO E FLECHA

Captado ao longo de sete missões etnográficas no Níger durante sete anos, o filme acompanha os rituais dos gow, um grupo de caçadores da tribo Songhay. O foco reside mais no processo que antecede a saída dos caçadores, na criação de ferramentas, nos gestos dos animais, do que na singularização de figuras humanas. A estrutura antropológica clássica é complexificada pelo forte arco dramático impresso à narrativa de caça a um leão chamado “o americano”, com a introdução e conclusão de um narrador contando a história para crianças. O filme registra uma comunidade cujas tradições estão em vias de desaparecer, tornando-o uma das peças-chaves da obra de Rouch.

QUANDO E ONDE
8JUN
Espaço Itaú (Sala 3)
14h00
9JUN
Espaço Itaú (Sala 3)
14h15

A PIRÂMIDE HUMANA

“A Pirâmide Humana” cria um instigante experimento (com ares de psicodrama) de análise das relações inter-raciais em uma turma de estudantes brancos e negros, franceses e nativos da Lycée Français em Abidjan, capital da Costa do Marfim. Rouch interpreta a si mesmo, assumindo-se enquanto operador distanciado que reflete sobre as vivências do grupo encenadas com real intensidade. O racismo é tematizado sem rodeios, com a franca tenacidade juvenil a permear os diálogos em voz overrecheados de referências literárias. O filme chega a ensaiar uma esperança de amizade genuína que se concretiza momentaneamente na experiência do cinema.

QUANDO E ONDE
8JUN
Espaço Itaú (Sala 3)
17h45
11JUN
Cineplex Batel (Sala 5)
18h45

A PUNIÇÃO

A jovem estudante de filosofia Nadine Ballot (também de “A Pirâmide Humana” e “Crônica de um Verão”), após ser temporariamente expulsa das aulas, encontra três homens diferentes ao longo de um dia. Eles caminham por locais públicos de Paris, com a improvisação ditando a tônica de suas conversas captadas em cinema direto. É a única obra de Rouch da retrospectiva que conta com uma protagonista mulher fora de uma dinâmica de grupo, compartilhando as inquietudes e devaneios de uma geração. Seus personagens também incluem Landry, um jovem imigrante da Costa do Marfim com quem Nadine passeia dentro do Museu do Homem.

QUANDO E ONDE
7JUN
Cineplex Batel (Sala 4)
16h45
11JUN
Cineplex Batel (Sala 4)
16h30

CRÔNICA DE UM VERÃO

Co-dirigido pelo filósofo e sociólogo francês Edgar Morin, Crônica de um verão é o filme mais conhecido de Rouch e precursor do que ele chamaria (um tanto ironicamente) “cinema verdade”. “Você é feliz?”, perguntam jovens mulheres a transeuntes nas ruas de Paris em um filme que consolida procedimentos prévios, deslocando o foco dos países africanos para a sociedade francesa. Ao indagar sobre como vivem personagens de classes, gêneros e raças distintos, e incorporar suas subjetividades em registro direto e em monólogos em over, Crônica faz um estudo da condição humana, simultaneamente atemporal e enraizado em seu momento histórico.

QUANDO E ONDE
8JUN
Cineplex Batel (Sala 5)
21h15
13JUN
Cineplex Batel (Sala 5)
16h30

EU, UM NEGRO

“Eu, um negro” foi realizado na Costa do Marfim em parceria com um grupo de imigrantes e trabalhadores do Níger. No meio dos jovens “Eddie Constantine”, “Tarzan”, “Petite Jules” e “Dorothy Lamour”, ele toma como herói “Edward G. Robinson”, uma combinação inseparável da pessoa real habitante de Treichville (pobre, imigrante, ex-combatente na Indochina e que, sob o nome de Oumarou Ganda, se tornaria um cineasta importante) e da persona mítica criada por ela numa confluência de subjetividades, discursos e sonhos. O filme estabelece o método auto-fabulatório subsequentemente utilizado por Rouch enquanto inventa sua própria forma, que parece orgânica.

QUANDO E ONDE
8JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
16h00
12JUN
Espaço Itaú (Sala 3)
17h30

JAGUAR

“Jaguar” narra as peripécias migratórias de três amigos – Lam, Illo e Damouré, todos personagens recorrentes no cinema de Rouch – que partem do Níger para a então Costa do Ouro em busca de fortuna e de atingir o status social atraente de “jaguar”. Eles encabeçam duas instâncias de improvisação fabulativa na montagem do filme, com a criação coletiva da cena filmada e a invenção dos diálogos gravados anos depois. Este road movie épico investe tanto na aventura quanto na documentação de tradições das comunidades locais, ao mesmo tempo em que extrai sua força da realidade imaginária resultante do encontro entre protagonistas e realizador.

QUANDO E ONDE
10JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
14h15
13JUN
Cineplex Batel (Sala 4)
21h00

MAMMY WATER

Este curta realizado no Golfo de Guiné, em Gana, acompanha uma cerimônia em homenagem à deusa das águas, Mammy Water. O ritual busca o perdão dos espíritos do mar (contrariados após a morte de sua sacerdotisa) a fim de recuperar a fartura de pesca na comunidade. A voz do realizador guia um registro simpático de teor etnográfico ao descrever situações e ressignificar imagens, enquanto a banda sonora é complementada por vozes e cantos sem singularização subjetiva. Ao final, a estrutura da montagem corrobora a retomada da aliança com as divindades ao se encerrar com a pesca bem-sucedida.

QUANDO E ONDE
8JUN
Espaço Itaú (Sala 3)
14h00
9JUN
Espaço Itaú (Sala 3)
14h15

OS MESTRES LOUCOS

“Os Mestres Loucos” se dedica a um ritual de possessão em Accra (capital atual de Gana) com sua cerimônia anual de evocação dos novos deuses – os deuses da técnica e das grandes cidades, os Haouka -, dentre os quais figuram personagens modernos do poder colonial britânico. O enunciado em voz over do realizador descreve os acontecimentos, flutuando entre um pretenso cientificismo descritivo e formulações mais poéticas. Ele conduz a análise dessa ritualização sobre um passado colonial recente, no primeiro trabalho cinematográfico de Rouch a causar maior reverberação de crítica e público.

QUANDO E ONDE
7JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
19h30
12JUN
Espaço Itaú (Sala 2)
21h45

POUCO A POUCO

“Pouco a Pouco” é um cômico ensaio de etnologia inversa que inscreve seus protagonistas numa investigação da sociedade francesa através do olhar de estrangeiros, dentre eles Damouré Zika, que viaja para França para estudar arranha-céus por conta de sua empresa de construção baseada no Níger “Pouco a pouco”. Ele e seus parceiros revelam as contradições da lógica capitalista ocidental de maneira satírica ao lançarem perguntas a desconhecidos na rua (com ecos de Crônica de um verão), ou se depararem com figuras marcantes que habitam o estranho novo (velho) mundo – como Safi, interpretada pela senegalesa Safi Faye antes de se tornar cineasta notável.

QUANDO E ONDE
7JUN
Cineplex Batel (Sala 5)
14h15
11JUN
Espaço Itaú (Sala 1)
14h00

 

 

28 de maio de 2018

Lista de Voluntários Selecionados

Postada em 28 de maio de 2018 em Sem categoria.

Lista de Voluntários Selecionados

Alice Alves Lippe

Alice Nilo Távora Clemente Bastos

Aline Brandalero

Ana Carolina Lima Dembiski

Ana Carolina Zanette da Silva

Andrei Bueno Carvalho

Bruna Cason Torquato de Moraes

Bruno Fernandes e Fernandes Araujo

Christiane Strack Haus

Cindy Luri Horiuchi

Daniel Sclaisse Galvão

Felipe Novello Barcellos

Fernanda Ferrari

Gabriela Thomas Oliveira de Almeida

Gessica Candido Gois de Oliveira

Giovana Bianconi

Giovanna Ferronato Welter

Isabela Aruana Rodrigues Faria

Isabella Frade Magalhães

Johanne de Medeiros Lourenço

Juliano de Quadros

Juliano Pasqualini

Julio Chimentão

Karina Scheffer Cordeiro e Silva

Leani Ferrari

Leda Davis Gambús da Silva

Letícia Camargo de Sá Silva

Letícia Futata

Marcus Paulo dos Santos de Freitas

Maria Ester Oliveira de Souza

Marina de Arruda Alencar

Matheus Rocha da Silva

Michel Rautmann

Natalia de Mello Moya

Nathalia Mendes de Oliveira

Rafael Neri M. Ferreira

Rayane Taguti Gonzatto

Sabine Villatore

Sabrina Soare

Samir Gid Moreira

Tallyta Moraes

Thiago Takemori de Araujo

Vanessa Aquino de Lima

Victoria Spitzner Gonçalves

Vinícius Camilo Vendramin

Vitória Carossi Trigo

 

08 de fevereiro de 2018

Curitiba_Lab 2015 – RAIA4

Postada em 08 de fevereiro de 2018 em Sem categoria.

Curitiba_Lab 2015 – RAIA4

O longa-metragem “Raia 4” participou do Curitiba_Lab em 2015 e foi gravado recentemente.

Porto Alegre e região metropolitana servem de cenário para o longa, que está sendo rodado durante os meses de janeiro e fevereiro. Realização da Ausgang, o filme é a estreia na direção de longa-metragens de Emiliano Cunha (“Sob Águas Claras e Inocentes”), que divide a produção com Davi de Oliveira Pinheiro (“Porto dos Mortos”) e Pedro Guindani (“Desvios”). Drama com elementos de suspense ambientado no universo da natação competitiva, “Raia 4” tem no elenco Fernanda Chicolet (“Demônia”) e José Henrique Ligabue (“Flor do Caribe”) e jovens nadadores que fazem sua estreia nas telas. O longa tem financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual (Ancine/BRDE), através do edital Prodecine 05/2015. O longa tem previsão de estreia para 2019.

A trama acompanha Amanda (Brídia Moni), uma atleta de de 12 anos de idade. Silenciosa e reservada, ela encontra segurança em seu próprio mundo: debaixo da água, onde os segredos não podem ser ouvidos. Priscila (Kethelen Guadagnini), uma excelente nadadora, torna-se sua adversária não só na piscina, mas também na vida. “Fui atleta de natação da infância à vida adulta e o filme une minhas duas paixões: o cinema e a natação”, resume o diretor Emiliano Cunha, que também assina o roteiro. “É a chance de mostrar ao público um universo fascinante e que me é precioso, e explorar um cinema que é de sensações, trazendo à tela a experiência da natação como é para os esportistas””, complementa o cineasta porto-alegrense. Também na equipe do filme estão Valeria Verba e Sheila Marafon, que assinam a direção de arte, Edu Rabin, diretor de fotografia, e Beto Picasso, diretor de produção.

Para o diretor, “o Curitiba Lab foi uma experiência pessoal e profissional muito engrandecedora, e fundamental para o aprimoramento do projeto”.

Maiores informações na página oficial do filme no Facebook, fb.me/raia4filme.

Amanda (Brídia Moni) e o diretor Emiliano Cunha

Set de filmagem

Crédito fotos: Tuane Eggers/Ausgang.

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