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Camila José Donoso e um cinema em transformação

Os filmes de Camila José Donoso apresentam um cinema de transformação. Atravessados por uma força vital contagiante, eles nos revelam personagens extraordinários em suas facetas mais humanas. No decorrer de três longas-metragens e vários trabalhos curtos, a cineasta chilena (nascida em 1988) vem construindo uma filmografia de enorme potência inventiva. Sua experimentação com a linguagem passa pelo desafio dos regimes cinematográficos usuais, bagunçando gêneros, tornando porosas as barreiras que insistem em separar a vida “vivida” daquela registrada em diferentes formatos: vídeo, película, digital.

A diretora estará presente no Olhar de Cinema para participar de debates pós-exibição e conduzir uma Conversa Aberta com o público, na qual serão exibidos os curtas Camino Gris (2011), da época de sua graduação, e Nona (2014), que culminou no processo de criação do filme híbrido Nona. Se me molham, eu os queimo (2019), uma co-produção brasileira que estreou na última edição do festival de Roterdã e que terá sua estreia nacional no Olhar. Além dos filmes de Camila, a Foco propõe diálogos entre seus trabalhos e os de cineastas de diferentes nacionalidades e gerações que de alguma maneira a influenciaram.

A visão singular de Camila é inseparável de como ela a apresenta, algo que os públicos de importantes festivais ao redor do mundo tiveram a oportunidade de descobrir. É a sua criatividade em formular uma nova proposta estética a cada trabalho, em criações conjuntas com as pessoas filmadas. As protagonistas dos seus filmes pertencem a grupos marginalizados pela sociedade em geral, como as personagens trans e travestis dos longas Naomi Campbel (2013) e Casa Roshell (2017) e a idosa no centro de Nona, e a busca principal da diretora reside nos modos de superar condições impostas. A marca da transformação em seu cinema se dá por meio da auto-invenção, presente tanto na forma fílmica quanto tacitamente nos corpos.

Seu processo fílmico é alimentado pelo engajamento em causas diversas, como, por exemplo, no ativismo LGBTQI+ e na perspectiva feminista que atravessa seu trabalho. Fundamental para isso foi sua participação no coletivo de arte feminista CUDS (Coletivo Utopia Sexual Dissidence) durante a universidade, no qual foram criados vídeos e performances interdisciplinares. Ela passou a denominar seus trabalhos de “transficções”, apontando para como um filme pode viajar entre múltiplas formas de representação.

A marca que perpassa sua filmografia é a da liberdade, misturando cinema, posicionamento político e pedagogia em iniciativas como a da Escola de Cinema Experimental Transfrontera. Seus filmes são constituídos por laços de afeto costurados às memórias coletivas da sociedade chilena das últimas décadas. Ao mesmo tempo, parecem tocar em sentimentos mais universais, como o desejo de amar e ser amado, ou de transformar em lar o corpo que se habita.

Camila José Donoso

 

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