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Conversa Aberta com Camila José Donoso

Como parte da programação da mostra Foco deste ano, dedicada à obra da cineasta chilena Camila José Donoso, o Olhar de Cinema fará uma Conversa Aberta com a diretora no dia 10 de junho, às 18h30, no Shopping Crystal.

Neste evento gratuito, Camila abordará diversos aspectos relacionados ao seu cinema, incluindo a noção pedagógica de “transficção” que é central ao seu trabalho. A respeito deste tópico, ela escreve: “A ideia de “transficção” surgiu logo após eu realizar Naomi Campbel (2013), Casa Roshell (2017) e Nona. Se me molham, eu os queimo (2019), três filmes que compartilham metodologias e “sensações” a respeito das fronteiras entre documentário e ficção. Além disso se configuram como retratos, tanto de uma única personagem quanto de várias. O objeto de estudo da “transficção” é pensar como se desenham os limites entre as categorias cinematográficas, e também como um mesmo filme pode viajar entre múltiplas formas de representação”.

Como inspiração para o desenvolvimento dessa ideia, Camila citou vários cineastas notáveis que trabalharam com formas híbridas, entre eles Ignacio Agüero, Pier Paolo Pasolini, Jean Rouch e Raúl Ruiz. Nesta Conversa Aberta ela discutirá ainda mais sua própria formação cinematográfica, seu processo de aprendizagem e seu pensamento acerca do cinema, à luz dos diversos diálogos que estabeleceu no decorrer dos anos – com outros cineastas ou marcos de referência, com os personagens e colaboradores de seus filmes e até mesmo com os próprios materiais fílmicos.

Neste evento também serão apresentado um curta anterior de Camila e trechos de outros materiais dela, além de um curta cuja realização envolve diretores que ela admira. As sinopses dos dois curtas seguem abaixo:

Nona, 2014, dir. Camila José Donoso
A descrição da diretora do seu curta brilhante é: “Auto-exílio e metamorfose em um registro confeccionado à mão sobre uma dona de casa bastante incomum”. A personagem elétrica a que ela se refere é Nona, uma idosa (interpretada por Josefina Ramírez) que explora os espaços de sua casa em uma região rural do Chile enquanto conta histórias de vida para uma câmera de vídeo analógica. Impulsionada pela curiosidade, Camila interpela a personagem (interpretada por sua avó) com perguntas vindas de fora do quadro ao longo de todo o filme. Este curta é tanto um precursor para o longa mais recente da diretora quanto um estudo acerca de uma figura de interesses ilimitados.

O que arde cura, 2012, dir. João Rui Guerra da Mata
Camila buscou desde cedo pelo que chama de “um cinema queer e dissidente que retrata o mundo trans de um lugar nada masculino”. Ela encontrou isso no trabalho do cineasta português João Pedro Rodrigues, especialmente em seu filme crucial Morrer como um homem (2009). “O que arde cura” estrela o próprio Rodrigues e foi dirigido pelo seu companheiro, João Rui Guerra da Mata, que colaborou no roteiro de “Morrer como um homem” e foi responsável por sua memorável direção de arte. Aqui, o diretor adapta a peça A voz humana, de Jean Cocteau, transformando-a em uma obra de enorme expressão visual.

 

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